março 22, 2009

Árvores do Alentejo

Foi a 21 mas.....aqui fica um poema....


Horas mortas? Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido? e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro e giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
pedindo a Deus a minha gota de água.


Florbela Espanca

Publicado por Ofeliazinha em março 22, 2009 02:56 AM
Comentários

Gosto da poesia da Florbela e gostei deste poema que não conhecia. Obrigado pela partilha.
Bom resto de semana,
Beijo.

Afixado por: Nilson Barcelli em março 25, 2009 09:34 AM

Olá Ofeliazinha, bem-vinda de volta e parabéns pela maternidade.
Xicoração.

Afixado por: carlos em março 23, 2009 06:01 PM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?